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Biografia

Rogério Miranda de Almeida, filho de José Rogério de Almeida e de Nair Miranda Rogério, nasceu em Crato, estado do Ceará, aos 9 de abril de 1953. Na sua cidade natal, cursou a escola primária no Grupo Escolar Dom Quintino e fez o ginasial e o científico (até o segundo ano) no Colégio Estadual Wilson Gonçalves. Concluiu o científico no Colégio Diocesano do Crato. Enquanto realizava seus estudos formais nestes dois colégios, estudou e aprofundou a língua e a literatura francesas com a professora Maria Sílmia Sobreira da Silveira na Aliança Francesa. Em seguida, no Rio de Janeiro e, depois, em Campinas-SP, estudou privadamente o grego clássico e o latim (1974–1977). Cursou um ano de filosofia na PUC do Rio de Janeiro (1978) e concluiu a licenciatura em filosofia na PUC de Campinas (1985). Teve como sua primeira influência filosófica as leituras de Platão, Descartes, Rousseau, Kant e Marx.

De 1986 a 1993, cursou teologia na Universidade de Estrasburgo, França, onde obteve os diplomas: bacharelado, licenciatura, mestrado, D. E. A. (Diplôme d’Études Approfondies), D. S. T. C. (Diplôme Supérieur de Théologie Catholique) e doutorado (1993). Nesta mesma universidade, foi membro do C.É.R.I.T. (Centre d’Études et de Recherches Interdisciplinaires en Théologie). Na Universidade de Metz, incorporada depois à Université de Lorraine, França, doutorou-se em filosofia (1997).

De 1995 a 2003, lecionou teologia e filosofia no Saint Vincent College, Latrobe, Pensilvânia, Estados Unidos, onde também foi membro da Friedrich Nietzsche Society e da American Philosophical Association. Entre 1997 e 2007, lecionou filosofia no Pontifício Ateneo Santo Anselmo, Roma. Nesta mesma cidade, lecionou teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana (1999–2007). Em 2007, após a criação do programa de pós-graduação em filosofia na PUCPR, campus Curitiba, foi convidado para lecionar nesta universidade, onde atuou no mestrado e no doutorado até 2019.

Atualmente, leciona filosofia na FASBAM (Faculdade São Basílio Magno) e teologia sistemática no Centro Universitário Claretiano (Studium Theologicum), ambos em Curitiba.

Filosofia-Teologia-Psicanálise

As pesquisas e análises de Rogério Miranda de Almeida não podem ser dissociadas destas três áreas do saber: filosofia, teologia e psicanálise. Com efeito, considerando-se que a problemática fundamental que norteia o seu trabalho intelectual é de ordem antropológica, não se pode concebê-la sem se levarem em conta as questões relativas à liberdade, ao desejo, à linguagem, ao sujeito e ao inconsciente. É, pois, a partir desta perspectiva que ele examina:

  1. As indagações metafísicas em torno do Ser e o questionamento ético que se desenvolveram ao longo da filosofia antiga, com ênfase nos Pré-Socráticos e em Platão;
  2. A herança platônico-aristotélica e, ligados a esta tradição, os conceitos de transcendência, de consciência, de intencionalidade e vontade que marcaram a filosofia e a teologia medievais, com ênfase em Santo Agostinho;
  3. Os conceitos de vontade e representação em Schopenhauer, a noção de paradoxo e a problemática da vontade de potência, das relações de forças, da interpretação, da escrita e da inversão dos valores em Nietzsche;
  4. As teorias analíticas de Freud e Lacan acerca do inconsciente, da linguagem e do desejo.

Em Eros e Tânatos: A vida, a morte, o desejo, Rogério Miranda de Almeida afirma:

“Afinal de contas, o que é escrever, falar, verbalizar, senão tentar captar um real que não cessa de resistir e de se subtrair ao domínio de todo discurso e, paradoxalmente, de toda significação? Que se pense, por exemplo,nas ideias de Platão, nos universais dos escolásticos, no Deus de Descartes, nas mônadas de Leibniz, no imperativo categórico de Kant, no espírito absoluto de Hegel e, mais recentemente, no arcabouço terminológico da biologia e da química, últimos bastiões em que vieram refugiar-se as entidades fictícias da metafísica e da teologia”.

Eros e Tânatos: A vida, a morte, o desejo. São Paulo, Loyola, 2007, p. 18.

Em A fragmentação da cultura e o fim do sujeito, diz ele:

“Todos os filósofos, de Heráclito a Heidegger, de Platão a Lacan, não fizeram outra coisa senão ensaiar apreender – a partir de uma sensação de borda ou em torno de um vazio que suscita a inscrição ou o traçado centrífugo da letraaquela unidade, aquele fundamento, aquela palavra ou, em suma, aquele significante que, não obstante, permanece recalcitrante e resistente ao próprio discurso”.

A fragmentação da cultura e o fim do sujeito. São Paulo, Loyola, 2012, p. 17.

O Paradoxo do Entre-dois

Uma das noções de que mais se serve Rogério Miranda de Almeida é a de “paradoxo” e, em estreita ligação com esta, a de “entre-dois”. Na esteira de seu mestre, Roland Sublon, e de Jacques Lacan, ele designa pelo nome de “paradoxo” a multiplicidade de perspectivas e releituras que um mesmo objeto, ou diferentes objetos, podem suscitar. Pois o que está em jogo na dinâmica da interpretação e da escrita é o problema da tensão do desejo na sua incessante satisfação e insatisfação. Trata-se, para dizê-lo lacanianamente, da letra ou, mais precisamente, do vínculo, da ponte, da porta, da passagem ou, na terminologia de Almeida, do entre-dois. Estas duas noções – o paradoxo e o entre-dois – se entrelaçam e se supõem de maneira tão intrínseca, mútua e radical que toda tentativa para de-fini-las estaria, desde o início, fadada ao mais completo fracasso. Com efeito, como definir aquilo que, por natureza, está continuamente a escapar e a resistir à significação enquanto tal?

Numa recensão sobre uma das obras de Rogério Miranda de Almeida, Nietzsche e o paradoxo, primeiramente publicada em francês (1999), depois em português (2005) e em seguida em inglês (2006), Jean-Paul Resweber observa: “Sabe-se que o paradoxo – que se exprime como um enigma, pois ele não resolve as contradições entre a vida e a morte, o ser e o tempo, a palavra e o silêncio, o sujeito e seu Outro – se dá como interface entre a ética e a experiência religiosa. Ora, é esta a ambição legítima deste livro: ler e reler Nietzsche no paradoxo, sem procurar resolver este último” (Le Portique – Revue de Philosophie et de Sciences Humaines, n. 5, 1er. Semestre 2000, p. 202-203).

O desejo e a linguagem

Assim como as noções de paradoxo e de entre-dois não podem ser pensadas separadamente na concepção de Rogério Miranda de Almeida, assim também o desejo, enquanto uma tensão elementar, primordial, cuja saciedade reside paradoxalmente na sua própria insaciabilidade, não pode ser dissociado da escrita e da linguagem, elas mesmas como expressões da tentativa infinitamente recomeçada de colmatar uma hiância ontológica, ou pré-ontológica, que se diz, se fala, se escreve e se significa. Consequentemente, o desejo, a linguagem e a interpretação caminham pari passu, na medida em que a própria linguagem já é a manifestação de um movimento centrífugo que, por isso mesmo, não cessa de se inscrever e de se simbolizar na heterogeneidade do pedido. Na linha de Jacques Derrida, Rogério Miranda de Almeida vê na escrita uma função transgressora e, portanto, uma dinâmica que tenta, de maneira ambígua e paradoxal, romper a hegemonia do logos que pautou, determinou e radicalmente caracterizou a tradição metafísica ocidental. Afinal de contas, o que é a escrita, o texto e, em última análise, a linguagem? É o próprio autor quem tenta esclarecê-lo no Prefácio a Eros e Tânatos: A vida, a morte, o desejo:

“Escrita do impossível, arte da transgressão, trajeto sinuoso que pontilha a angústia de uma perda, de uma lacuna, de uma hiância e de um significante que não cessam de se re-inscrever, de se completar, de se refazer, de se deslocar e se repetir...” (Eros e Tânatos: A vida, a morte, o desejo, São Paulo, Loyola, 2007, p. 18).

Reconhecimentos

1. Professor homenageado da Turma Especial de Teologia da PUCPR, em 2010.
2. Votos de louvor e congratulações – Moção aprovada pelo plenário e registrada nos Anais da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, em 2012.
3. Ao Mestre: Professor homenageado do curso de Filosofia da PUCPR, em 2014.
4. Professor homenageado do curso de Filosofia da PUCPR, em 2016.
5. Aos Mestres: Homenagem do curso de Filosofia da FASBAM, em 2018.
6. Artigo de maior fator de impacto do Programa de Pós-Graduação em Filosofia em 2018-2019 - PUCPR, SCImago Journal Rank Indicator, em 2019.
7. Professor homenageado do curso de Filosofia da FASBAM, em 2024.
8. Sócio Honorário do Instituto Cultural do Cariri (ICC), em 2024.
9. Membro da Sociedade Brasileira de Platonistas (SBP), em 2025.

Posse como Membro do Instituto Cultural do Cariri

Membro do Instituto Cultural do Cariri

Livros

Em francês

  • 1. L’au-delà du plaisir: Une lecture de Nietzsche et Freud, Lille, Université de Lille III, 1998.
  • 2. Nietzsche et le paradoxe, Strasbourg, Presses Universitaires de Strasbourg, 1999.


Em inglês

  • 1. Nietzsche and Paradox, Albany, State University of New York Press, 1ª ed. 2006; 2ª ed. 2007.


Em português

  • 1. Nietzsche e Freud: Eterno retorno e compulsão à repetição, São Paulo, Loyola, 2005.
  • 2. Nietzsche e o paradoxo, São Paulo, Loyola, 2005.
  • 3. Eros e Tânatos: A vida, a morte, o desejo, São Paulo, Loyola, 2007.
  • 4. A fragmentação da cultura e o fim do sujeito, São Paulo, Loyola, 2012.
  • 5. A memória, o esquecimento e o desejo, São Paulo, Ideias & Letras, 2016.
  • 6. História da Filosofia Antiga, Curitiba, FASBAMPRESS, 2021.
  • 7. História da Filosofia Medieval, Curitiba, FASBAMPRESS, 2021.
  • 8. História da Filosofia Moderna, Curitiba, FASBAMPRESS, 2022.
  • 9. História da Filosofia Contemporânea I, Curitiba, FASBAMPRESS, 2023.
  • 10. A consciência moral: Das raízes gregas ao pensamento medieval, São Paulo, Loyola, 2023.
  • 11. História da Filosofia Contemporânea II, Curitiba, FASBAMPRESS, 2024.
  • 12. Nietzsche e o paradoxo, 2ª ed., Campinas, Editora Splendet PUC-Campinas, 2024.
  • 13. Nietzsche e Freud: Eterno retorno e compulsão à repetição, 2ª ed., Campinas, Editora Splendet PUC-Campinas, 2025.
  • 14. Filosofia e Teologia: Equivalência, Antinomia, Complementariedade, Campinas, Editora Splendet PUC-Campinas, 2025.
  • 15. A Filosofia do entre-dois: Uma leitura psicanalítica do saber, Campinas, Editora Splendet PUC-Campinas, 2025.


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